Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

25 de August de 2008 21:27 Seja o primeiro a comentar
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Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

A Bahia é o segundo maior produtor brasileiro do algodão tradicional, sendo que, nessa produção se destaca a região oeste, com sua cultura de alta tecnologia, feita no cerrado e direcionada ao agronegócio.

Entretanto, há tempos atrás, o algodão já foi cultivado em todo o oeste baiano pelo pequeno agricultor, de economia familiar, e agora a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) inicia um trabalho nesse sentido, mas visando à produção do algodão colorido, que poupa o planeta dos efluentes usados no tingimento e é 30% mais valorizado.

Muito procurado por países desenvolvidos, como o Japão, por ser ecológico e antialérgico, já que não usa tingimento, o ideal é que o algodão colorido seja produzido de forma orgânica, isto é, sem o uso de fertilizantes químicos ou agrotóxicos, o que é impossível na cultura em larga escala.

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Sendo nativo do nordeste, o algodão colorido está adaptado às suas condições climáticas e de solo, e, cultivado familiarmente, a defesa contra a praga do bicudo (inseto que ataca o algodão), pode ser feita manualmente. No outros requisitos do manejo seguirá os protocolos específicos para o algodão, como o de erradicar as plantações logo após a colheita, enterrando-as, para interromper o ciclo do desenvolvimento do bicudo.

O ensaio de cultivo do algodão colorido no oeste baiano está sendo feito pela EBDA, sob a gerência de Carlos Augusto Araújo, que se interessou pelo tema, em vista de haver no quadro do órgão, em Barreiras, o engenheiro agrônomo João Batista dos Santos, paraibano, entusiasta e conhecedor das técnicas de manejo do algodão colorido. Em 2007, este elaborou, através da EBDA, um projeto dirigido ao FUDEAGRO (Fundo para o desenvolvimento do agronegócio do algodão no Oeste Baiano), que foi aprovado: “Incentivo à introdução do algodão colorido na agricultura familiar no Oeste Baiano”.

Com os recursos do FUNDEAGRO e as sementes obtidas através da EMBRAPA Algodão, da Paraíba, iniciaram o experimento em três municípios: Angical, Baianópolis e Wanderley, utilizando dois tipos: BRS Safira, de cor marron escuro avermelhado e BRS verde. Em fase final, o ensaio de Angical produziu uma média de 1.250 Kg por hectare, podendo ainda, segundo o Dr. João Batista, chegar a uma produção bem maior, com desenvolvimento sustentável.

Diante do êxito do ensaio, o gerente Carlos Augusto, da EBDA, pretende aumentar o plantio para mais cinco municípios do oeste baiano, área que tem tradição em algodão. A pluma colorida de que breve será feita a colheita vai ser doada para entidades de artesanato, e as sementes continuarão a vir da Embrapa Algodão, da Paraíba.

Obter a geração de emprego e renda para o agricultor familiar e, ao mesmo tempo, investir na sustentabilidade do planeta são metas necessárias ao grave momento que a humanidade atravessa, sendo que o algodão colorido, especialmente o de cultura orgânica, atende aos dois ideais.

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia
As fotos são da Embrapa, do experimento em Angical.

Por Ignez Pitta

Ensaio da cultura de algodão colorido no oeste da Bahia


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